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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

11 de fevereiro de 1987

ATENÇÃO: esta é uma carta fictícia. Ela está inserida no contexto do livro "Fio Vermelho", publicado pela Editora Hope em 2021. É recomendável lê-lo antes de continuar a leitura desse post.
O e-book está disponível na Amazon por R$5,99 ou gratuito no K.U. Compre AQUI.


Vivara, 11 de fevereiro de 1987

Querida Angélica,

Há exatos 365 dias o meu olhar perdido encontrou o seu olhar assustado naquele primeiro dia de aula na tradicional escola que leva o mesmo nome de nossa cidade. Era terça-feira. Eu confesso para você que quando descobri que o retorno não seria numa segunda, passei o domingo mais feliz porque ganhei um dia de descanso. Mal sabia eu que aquela terça representaria o início do nosso destino juntos.

Acho que nunca falei para você, de modo objetivo e direto, tudo aquilo que nosso primeiro encontro causou em mim. Fiquei com isso na cabeça por dias e dias.  Foi algo tão súbito e tão intenso que eu mesmo custei a acreditar que era real. Pois bem, agora é minha vez de lhe expor os fatos:

Por volta de 5h30 daquele 11 de fevereiro, minha mãe pousou a mão em meu ombro e me cutucou, tentando me acordar. Exclamava meu nome não tão alto e nem tão baixo ­— você conhece dona Regina, sabe que o tom de voz dela é neutro. —

Eu confesso que estava ansioso para viver aquele dia. Mas a minha ansiedade não era boa. Era uma ansiedade de quem estava prestes a... por falta de uma expressão melhor, “entrar num ninho de cobras”. Rodrigo havia comentado comigo que, mesmo sempre tendo melhores condições financeiras que as minhas, seus pais nunca quiseram que ele estudasse na Vivara porque era desse jeito que escrevi que eles viam o local.

Meu amigo sempre comentou que, para sua família, de nada adiantava estudar na melhor escola da cidade se o aluno ganhasse apenas conhecimento acadêmico. Qual o sentido em ser o melhor aluno da sala, mas ter seu interior corrompido diariamente? Era assim que ele via a Vivara. Era assim que eu via a Vivara. Uma escola que despejava matérias, mas não ensinava que somos todos humanos e que precisamos praticar a humanidade dia a dia. Ao contrário, as pessoas sempre diziam que a Vivara encorajava os ricos a se sentirem cada vez mais superiores. Vivara formava ricos e não alunos, era essa a ideia que tínhamos.

E, realmente, me lembrar de tudo isso que costumávamos dizer, às vésperas de pisar na escola, fez com que eu me sentisse ansioso e enjoado. Dormi mal à noite, mas quis tomar uma atitude diferente do que alguns em meu lugar fariam: resolvi deixar de lado essas ideias pré-concebidas e resolvi “ver para crer”. É claro que eu já sabia que seria o centro das atenções — e não de uma maneira positiva — e é claro que eu tinha muito medo de ser corrompido de várias maneiras: que me tratassem tão mal a ponto de eu desistir de meus estudos ou que eu de alguma forma me tornasse esse tipo de pessoa rica abstrata em minha mente.

Essa abstração, de pessoa rica, logo se personificou. Rostos que outrora eram somente um borrão a partir do dia 11 de fevereiro tornaram-se palpáveis e reais. Posteriormente, comecei a ver Renatos, Joãos, Robertos e Júlias por todo lado desde o momento em que atravessei o portão. Desculpe a comparação, mas assim que observei o pátio, parecia um zoológico. E então, um frio na barriga me acometeu. Aquelas pessoas eram reais. Os ricos existiam não só através do que eu ouvia falar deles, mas eles estavam comigo. Daquele dia em diante eu passei a frequentar o mesmo lugar que alguns deles, a escola, mas eu não era um deles. Eu nunca fui um deles. Continuo não sendo.

Porém, o fato de estar em algum lugar não quer dizer que você pertence a ele. É utópico e irritante dizer que eu estava naquela escola com o objetivo de mudá-la. Isso jamais aconteceu ou vai acontecer. Nunquinha. O fato de a Vivara ter oferecido prova de bolsa foi justamente para tentar limpar a imagem após aquela tragédia envolvendo os alunos do terceiro colegial e o menino mais novo, filho da auxiliar de limpeza. O menino estava muito doente e foi até a escola com ela. Não tinha onde ficar enquanto a mãe trabalhava e se escondeu no banheiro. E aquela turma favorável à tortura fez o que fez quando viu o indefeso lá. Mas isso já faz uns anos, você sabe. Só que o sangue do menino manchou a imagem da Vivara. Não que os ricos se importassem, mas pouca gente aceitou trabalhar lá depois disso tudo. A gente tinha medo.

Depois daquele fatídico dia, Rodrigo, outros colegas de escola e eu andávamos sempre com casacos a fim de esconder o uniforme de nossa escola porque tínhamos medo de esbarrar com outros babacas da Vivara.

Enfim, você deve estar se perguntando o motivo de eu ter feito a prova de bolsa se tinha tanto medo assim dos valentões. Acontece, Angélica, que essas pessoas não são valentonas. Pelo menos não são nem mais nem menos que eu. Eu me considero valente por ter ido atrás de meus sonhos e de meu futuro. Por bater de frente com meu destino e não aceitar nada menos do que eu mereço. Eu mereço ter uma boa formação e, diferente de muitos amigos meus, quero fazer curso superior. E, feliz ou infelizmente, Vivara é a escola que melhor prepara para isso. Claro que, para muitos, posso parecer vaidoso por estudar nesse ninho de cobras. Mas, para mim, a Vivara continua sendo isso: um ninho de cobras.

Exceto quando o meu olhar encontrou o seu. Eu te garanto que não vi uma cobra diante de mim. Eu te garanto que não vi um traço de pessoa rica. Eu vi uma garota tímida e assustada diante de mim. Eu vi em seus olhos uma ansiedade de procurar por um lugar. Você, assim como eu, estava procurando seu lugar. Não somente na sala, mas no mundo. Você, assim como eu, estava deveras perdida. Não porque não fazia parte daquele mundo, mas porque fazia, porém não se via nele. Seus olhos procuravam outro lugar, procuravam outras pessoas. Ou melhor, procuravam alguém que entendesse você.

Eu jamais colocaria a minha mão no fogo para defender que as pessoas se apaixonam pura e simplesmente com uma troca de olhares. Isso é fantasioso e irreal. A paixão vem com o tempo. Porém, uma troca de olhares, como foi a nossa primeira e intensa troca, pode despertar curiosidade. E foi isso que você despertou em mim. Curiosidade, no mínino, para saber seu nome — confesso que esbocei um sorriso ao ouvir a professora pronunciando seu nome na chamada. 

Angélica, menina angelical, é claro. O destino das pessoas não falha. Minha intuição não falha. Descobri, posteriormente, que era seu destino ser uma menina não apenas angelical, mas diferente daquilo que o mundo te obrigava a ser.

Disse anteriormente que não mudaria a Vivara, não mudaria as pessoas. Não estava lá para isso e, Deus me livre se estivesse. Mas o que eu não sabia era que eu poderia mudar alguém. E esse alguém me mudar. Nosso encontro causou uma mudança aos poucos em nós mesmos. Nosso encontro na Vivara despertou nossos corações.

Posteriormente, ficou claro para mim: era seu destino ser minha e era meu destino ser seu.

Voltando para nosso 11 de fevereiro: antes mesmo de descobrir seu nome, algo em você me chamou a atenção. Assim que nossos olhos se encontraram, eu fixei o olhar e te acompanhei até se sentar na segunda carteira da penúltima fileira. Observei de longe enquanto você retirava os materiais e um livro da mochila, depositando-os na mesa. E depois, vi que você tirou um delicado laço vermelho, prendendo seus cabelos num alto rabo de cavalo enquanto a professora e os demais alunos, incluindo aquele que julguei ser um enxerido, Renato, que cortou meu momento ao falar com você e então passei a observá-lo. Não com a mesma intensidade, é claro. Mas a presença dele me lembrou de onde eu estava. Se a sua presença me fazia esquecer, a dele me fazia lembrar.

Enfim, passei o resto daquele 11 de fevereiro analisando as pessoas e admirando, de longe, você. Sou muito curioso e o fato de você ler durante os intervalos de aulas e ser tímida me faziam lembrar de mim mesmo. Sua postura naquele primeiro dia foi como um espelho de mim mesmo. Nós dois quietos e muito concentrados: você no livro e eu em você. E no seu laço vermelho.

Dávamos de ombro aos comentários fúteis de outras pessoas, dávamos de ombro a qualquer provocação. E, como naquele primeiro dia eu me senti o leão do zoológico, já que todos me encaravam com uma curiosidade estranha e um certo ar de superioridade — tememos o leão, mas nos achamos mais espertos que ele porque o enjaulamos — você foi a única que não me lançou olhares com ar de desprezo. Você foi a única que me lançou um olhar intenso no primeiro momento e foi a única que me olhou posteriormente com certa cumplicidade. Você sabia que eu não pertencia à Vivara, porque você também não. E isso me fez te enxergar diferente do modo como enxergava os outros.

Eu sabia que você até poderia andar com eles. Sabia que você provavelmente tinha recursos financeiros. Mas eu sabia que você era igual a mim na essência: tímida, dos livros e curiosa.

Os olhos falam, Angélica. E, naquela manhã eu te li com os meus olhos. Eu li aquela primeira página do novo começo de minha vida. Eu li, despretensiosamente, a primeira página daquela que seria a minha história de amor. Você foi como um livro que eu comecei a ler por curiosidade e se tornou meu livro favorito. Essa é só a página 365. Faltam muitas, mas muitas outras.

Feliz nosso dia, Angélica. Eu sei que esse dia é e sempre será especial para a gente, porque ele simboliza, por fim, nosso destino. Meu destino é ser seu e seu destino é ser minha. 

OBS: Não foi de imediato que eu associei aquele laço que você usava a algo muito maior que nós. Eu apenas achei delicado e bonito. Combinava com o símbolo vermelho do uniforme da Vivara. Mas é claro que, relendo aquela primeira página, hoje eu prefiro me referir a ele de outra maneira: você usava um belíssimo Fio Vermelho.

Para sempre seu,

Jorge.






quinta-feira, 28 de julho de 2016

PARCERIAS ABERTAS: Livro Minhas Palavras

Boa noite, queridos leitores! =)
É com imensa ALEGRIA que comunico a abertura para novas parcerias.
A minha vontade realmente era a de ter todos os que me procuram como parceiros, mas infelizmente sou uma autora independente e preciso selecionar. ("Querer não é poder").
Peço a compreensão e gentileza de todos.

Dessa vez, lanço um FORMULÁRIO que você, interessado na parceria, deverá preencher.
São questões simples a fim de que eu te conheça melhor.
Vou selecionar as pessoas que têm maior afinidade com a proposta do livro, boa escrita de resenhas (sim, para ser parceiro não quero apenas divulgação, mas uma resenha pertinente falando o que você achou do livro e porque). É importante ressaltar que números não me interessam. O que conta mais, para mim, é a qualidade de sua resenha. 

Enfim, antes de fazer sua inscrição, conheça um pouco mais sobre o livro.

SINOPSE:
FOTO: Blog Pausa Para Pitacos

O livro "Minhas Palavras" traz crônicas, relatos e poemas escritos por Raquel Morelli. Alguns foram publicados em blogs. Não é um livro autobiográfico, cada texto é fruto de observações de mundo e uso de um pouco de criatividade.
“Suas crônicas são sempre marcadas pela sensibilidade e leveza, é como se a autora nos confessasse seus sentimentos, duvidas e receios. Recomendo!” (Juliana Almeida, blog Dear Book)


Gostou? Tem interesse?
Para se inscrever, clique AQUI, responda algumas perguntinhas e aguarde meu contato.

Muito obrigada,
Raquel Morelli ♥

Redes sociais:
Facebook: https://www.facebook.com/minhaspalavraslivro
Instagram: https://www.instagram.com/rm_escritora/

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"Minhas Palavras": meu primeiro livro




Enfim, chegou o dia de mostrar meu primeiro filho a todos!!! Com enorme alegria, apresento-lhes meu PRIMEIRO LIVRO! "Minhas Palavras" reúne crônicas, relatos e poemas escritos desde os primórdios de minha vida como escritora, há exatos 10 anos. Sim, aos 12 anos já escrevia, mas não imaginava que um dia tudo isso viraria livro. Não foi nada fácil até aqui. Muitas decepções, muito suor e muita força de vontade pra atingir aquela que há 5 anos estabeleci como MAIOR META.
Obrigada família, amigos e a todos que torceram e continuam torcendo por mim até hoje. A partir de agora é um novo começo: sou uma autora publicada, o livro é MEU! A alegria é tanta que meu coração está até disparado e não sei mais o que escrever sobre. Enfim, sempre acreditei naquela frase: "Escreva o livro que você desejaria ler". Está aí! Vivo, lindo, cheiroso e esperando vocês! Lançamento em breve. Conto com todos! Milhões de beijos da escritora Raquel Morelli.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Silêncio

Por: Raquel Morelli(Publicado originalmente no blog DEAR BOOK

Ela gostou dele por muito tempo. Ela era uma menina e ele não era tão menino assim, pois já tinha um "Q" de homem. Ele era, para ela, um príncipe, um Deus, um amor.
Mas logo ele deixou de ser tudo isso e passou a ser a vida dela. Durante longos anos, ele foi a vida dela. Onde quer que ela fosse, carregava-o em pensamento.
Qualquer lugar que ele aparecesse de repente, ficava mais colorido com sua presença.
Ela realmente o amou muito. Mas amou sozinha, em segredo. Durante muito tempo, esse amor só existia em sua cabeça e em seu coração, que nunca exigiu retribuições da parte dele.
Por ter amado tento tempo assim, sozinha, imaginem o quão forte esse sentimento era.
Difícil fazer a cabeça se esquecer de alguém com quem o coração ficou tão acostumado. Difícil se esquecer de alguém que fora completamente idealizado.
Foi difícil para ela entender que, uma hora, o coração teria que guardá-lo no peito, em silêncio. Mas, para ela, o silêncio sempre existiu.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A gente se quer



POR: Raquel Morelli
(Retirado do livro: "Minhas Palavras")


Quando eu te conheci, realmente não sabia o que esperar. Ou melhor, não sabia se poderia esperar alguma coisa. Foi tudo tão de repente, aquele lugar que a gente nunca tinha ido, aquela banda tocando, minha amiga e seu amigo se pegando, eu e você parados olhando um pro outro. As fotos que tiramos (ainda tenho todas), as conversas, as danças e por fim, o nosso beijo. Inesperado, diga-se de passagem.

Imagem: Google
E tudo o que aconteceu depois...
Que nos trouxe até aqui.

Eu não sou de ficar fazendo planos. Ok, eu não era de ficar fazendo planos. Mas depois de dois anos juntos, depois de tantas surpresas e todo o carinho, respeito e amor trocado, fica meio impossível eu não querer imaginar um futuro ao seu lado.

É tão gostosinho quando a gente está realmente apaixonado, dá aquele frio na barriga só de pensar na pessoa, só de escutar o barulho no celular com uma possível mensagem dela...

Desde o começo, quando eu sabia que ia te ver, eu contava as horas pra isso. E mesmo hoje já estando num relacionamento bem mais sólido, ainda conto.
O relacionamento muda com o passar do tempo, mas o amor se fortalece e o que é bom, sempre vai ser, sempre vai melhorar.
   
No começo, a ansiedade é gigante, porque você está conhecendo melhor a pessoa e não sabe exatamente o que esperar, mas em seguida, é uma delícia quando você e a pessoa amada já se conhecem e têm intimidade suficiente para um saber sobre o outro.

Você me conhece. Você sabe quais são os meus medos, sabe que não sou muito fã de filme de terror e sabe que eu sou muito fã do Heath Ledger. Sabe que mesmo quando eu passo a semana longe de você, é em você que eu penso o tempo todo e conto os minutos para a sexta feira chegar e eu poder ver o seu sorriso que tanto me alegra novamente. Você sabe que eu não como carne (assim como você) e eu acho que também já te conheço muito bem.

Portanto, é justo eu esperar um futuro para nós. Como você mesmo disse: “Nunca imaginei que fosse encontrar alguém com quem daria tão certo”. Sim, eu também acho isso. A gente se encaixa. Perfeitamente. Nós nos damos bem, em tudo.
Claro que às vezes há alguma desavença, mas o principal é que tudo fica bem. E eu acho que tudo ficará bem. Mesmo depois de anos e mesmo que o tempo passe. Porque eu quero que fique bem e você também.

A gente quer isso: o nosso amor, o nosso futuro juntos. A gente se quer. Sem se quer pensar no que pode acontecer.

As Crises



POR: Raquel Morelli
(Retirado do livro "Minhas Palavras)


Ultimamente, tenho reparado em vários casais que passam por “crises”: ficam um tempo separados e dias, semanas, meses ou até mesmo anos depois, eles voltam a ficar juntos.
Imagem: Google
Talvez eu seja uma pessoa que não compreende esse tipo de coisa. Talvez eu não deva julgar e/ou ficar me metendo no relacionamento dos outros porque detesto quando fazem isso com o meu, e quero enfiar a cabeça da pessoa que está falando na privada.
Acontece que eu nunca passei por crise nenhuma. Claro que nenhum relacionamento é igual ao outro, ninguém é melhor ou pior que ninguém, cada um vive a vida da forma que julga ser a melhor.
Mas digamos que eu e meu namorado (e vários outros casais que conheço) nunca precisamos entrar em crise. Nunca precisamos de mais de uma noite para resolver alguma coisa. Eu nunca quis entrar em crise, eu nunca quis terminar um longo relacionamento por causa de bobagens.
Eu sei que brigas sempre vão existir, desentendimentos também. Mas às vezes eu acho que quem termina ou dá um tempo achando que vai resolver o problema está, na verdade, fugindo dele.
Acho que eu herdei esse negócio de querer resolver as coisas e não fugir delas da minha mãe. Porque ela sempre me diz algo assim: “Namoro iôiô não dá certo. Ou termina de uma vez pra nunca mais voltar ou não tem porque terminar”.
Eu acho uma verdade isso. Ficar indo e voltando, brigando e se reconciliando durante muito tempo, é sim, desperdício de tempo e desperdício de amor. Porque acho que quando as crises começam a ser frequentes, é sinal de que você e a pessoa não estão se encaixando direito. É sinal que os problemas estão sim atrapalhando e parece que farão a diferença apesar de tudo.
Amor só não basta. Tem que ter entendimento.
Conheço tanta gente que passe por crise, termina, fica com várias pessoas, daí volta e começa tudo de novo. É um circulo vicioso que para mim tem uma grande dose de falta de amor próprio, falta de respeito e falta de vergonha na cara.
Eu posso estar errada, como disse esse é um texto em que exponho a minha opinião que está longe de ser a ideia de perfeição, mas para mim, quando você termina com uma pessoa, fica com várias (e consequentemente ela também) e depois volta, perde a magia. Perde o encanto. E perde o respeito. 
Tem casal que parece que gosta de entrar em crise para fazer essas safadezas. Sim, para mim, mesmo não sendo traição é safadeza.
Lógico que tem casos e casos, às vezes as pessoas terminam, daí no futuro se reconciliam, vêem que é amor o que sente e que vale a pena lutar. E para por aí.
Não estou dizendo que não se pode terminar um namoro. E depois voltar. Mas daí volta com consciência de que se você voltou com a pessoa é porque realmente a ama, apesar dos defeitos e dos motivos que fizeram terminar anteriormente. Volte sabendo que voltou para aquela mesma pessoa, sem mudanças. Se for pra voltar já sabendo que não vai perdoar nada, é melhor não voltar.
Poupe-se de se machucar e poupe o outro de ser machucado.
Se não tem mais amor, se as crises de ‘brigar e voltar’ já extrapolaram todos os limites, então chega. Não tenha medo do fim definitivo porque um recomeço estará lhe aguardando. Não adianta ficar preso(a) numa relação que não vai para frente.
Voltando às palavras da minha mãe: “Se terminar, vai ser definitivo. Não abre mais a porta.”
Sim, seja definitivo mesmo. Daí não terá mais crises e você estará pronto(a) para beijar quem quiser e fazer o que quiser.
Se há brigas, resolva na hora. Ou melhor, pode esperar passar alguns dias para se acalmarem, e às vezes essa é a melhor solução. Mas briga é briga e sempre vai ter. Independentemente da relação. Qualquer relacionamento tem briga. Mas tem que ter respeito e vontade de resolver as coisas e não simplesmente pegar a mala, ir embora e no dia seguinte voltar falando “Ai, tô com saudades, não aguento ficar sem você, me perdoa”. Isso não é nada profundo. Isso também, é falta de ter alguém para estar junto e não da pessoa em si.Entrar em crise, terminar e voltar, é falta de querer se resolver, achar que uma simples desculpa vai acabar com a situação. E eu acho que casal que realmente tem a vontade de querer ficar junto e se resolver, não vai querer entrar em crise. Simplesmente porque essa é uma situação muito ruim para ambos.
Sou a favor do diálogo e do entendimento imediato, na medida do possível. Sou extremamente contra crises.
Pois, para mim, a vida sem crises é bem melhor e mais saudável.

sábado, 19 de julho de 2014

Brilho Eterno

POR: Raquel Morelli
(Retirado do livro "Minhas Palavras")


Lembranças... Este pode ter sido o "tema" do meu final de semana. Na sexta feira, assisti novamente a um filme chamado "Lembranças" e no domingo, vi pela primeira vez "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças"...
Os dois são bem diferentes e muito interessantes, mas achei legal essa coincidência no nome.
Porém, após assistir ao segundo filme, pensei em algo...
Eu jamais queria apagar alguém da minha memória. Porque, por mais que seja, as pessoas que passam na nossa vida, não passam por acaso. Apagar alguém das suas lembranças é, literalmente, apagar você mesmo. Sua história, coisas que você aprendeu a fazer e a gostar, momentos que viveu e que ajudaram você a estar onde está hoje. Não faz sentido apagar tudo isso por causa de uma pessoa.
Guardar lembranças é um dos maiores encantos dessa vida. A raiva é momentânea, mas a lembrança das coisas boas, não. Lembrar de algo pode doer, mas é essencial que se lembre para que você tenha, de fato, uma história de vida.
Não tem porque apagar momentos da sua história que, algum dia, te fizeram feliz. Ou mesmo os ruins, pois foram eles que te fizeram aprender.
Apagando a sua memória, você automaticamente se apagará junto. Desconsertará sua própria vida. Terá um rumo diferente, não saberá o porquê de muitas coisas.
A memória é essencial para nossa própria saúde. Se nossas lembranças às vezes nos enlouquecem, imagina como seria a nossa vida SEM elas?
Mais enlouquecedor ainda...
E eu uso o exemplo de um outro filme baseado em uma história real para firmar tudo o que eu falei: "Para Sempre", a história de Paige que, fatalmente, perde a memória recente e não se lembra mais do marido, da vida que levava e porque optou por essa vida.
Apenas se lembra do passado e, ao tentar ser manipulada pelas pessoas que fazem parte dele, gera uma grande confusão em sua cabeça.
Porém, eu sei que tudo o que é verdadeiro permanece, então aprendi a seguinte lição: não adianta tentar apagar alguém de sua vida, porque tudo o que tiver que acontecer, vai acontecer. Se for para você ficar com alguém, esse alguém virá até você, uma, duas, mil vezes até vocês perceberem que é pra dar certo, que é pra construir uma história juntos. Que é pra viver e ter lembranças com essa pessoa.

Ou seja, lembranças nada mais são que o brilho eterno de nossa vida.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Mudei



POR: Raquel Morelli
(Retirado do livro "Minhas Palavras")


Eu parei para pensar e descobri que não sou mais a mesma. Em muitas coisas. Eu mudei, de fato. Em amplos sentidos. De todas as formas.
Coisas que no passado eu jamais imaginaria pensar, fazer ou ser, eu penso, faço e sou.
Em relação a como vejo o futuro, eu mudei. Sempre achei que fosse viver até o fim da minha vida sozinha, em uma casa espaçosa com uns 10 cachorros pra mais, com uma piscina, lareira, com uma sala gigante de livros e outra de filmes...
Agora eu ainda me vejo nessa mesma casa, basicamente. Só que já começo a considerar a hipótese de não estar mais sozinha. Quem sabe eu, no fundo, não queira casar algum dia (com alguém que eu tenha realmente a certeza de que amo muito).. E quem sabe eu não tenha o Renato? Olha só, logo eu que quando era criança adorava esse nome e queria colocá-lo no meu filho... Mas com o passar do tempo, essa vontade de ser mãe me enjoava e não queria nem pensar em ter que carregar um bebê 9 meses na minha barriga e a vida toda comigo. Agora, quem sabe eu não esteja revendo os meus conceitos?
Obviamente, muitas coisas permanecem... Como a vontade de ter meus 10 cachorros, uma casa espaçosa, com piscina e tudo o mais. Mas agora me dou ao direito de imaginar, ainda que de vez em quando, essa outra possibilidade.
Eu ainda penso nas minhas viagens. Claro que eu quero (e vou) conhecer minha tão querida Perth, mas confesso que a minha vontade de viver para sempre lá já praticamente não existe mais. Existe sim, a vontade de passar um tempo, mas talvez a vida toda seja muito e tem outros lugares que quero viver por algum tempo.
Tipo a minha casa. Antes, eu era maluca para sair dela, pra sair daquela pequena cidade. Hoje, quem diria, sou louca pra voltar pra lá...
Eu antes queria ser uma grande cineasta e roteirista, hoje em dia voltei com a minha vontade absurda de ser escritora que desde pequena eu tenho.
Eu que nunca bebia. Agora bebo, sim. Não sempre e não loucamente. Mas me dou esse direito de vez em quando.
Eu sempre fui uma aluna exemplar, que morria de medo de tudo... De provas, de professores, de faltas de trabalhos... Hoje não, hoje eu sou muito sossegada com tudo isso e quer saber? Estou me saindo muito melhor do que antes, pode ver minhas notas, minhas faltas e desempenho.
Antes eu era maluca pelo meu único ídolo, Heath Ledger. Ele continua sendo o maior de todos, o amor platônico mais lindo e trágico. Mas me dou ao direito de amar pelo menos um pouquinho os que ainda estão vivos.
Enfim, dá pra perceber que eu mudei tanto assim?


terça-feira, 15 de julho de 2014

Buscar

POR: Raquel Morelli
(Retirado do livro: "Minhas Palavras")

A vida se transforma e tudo passa, tudo muda
Olho para trás e vejo os sonhos de ontem
É inevitável adiar mudanças

Vivendo o momento sem pensar em nada
Querendo buscar sonhos
Correndo atrás de fantasias

Sabendo que um dia tudo pode mudar
Querendo uma chance

E buscar ser feliz a cada acordar

O que eu adoro em você

POR: Raquel Morelli
(Retirado do livro "Minhas Palavras")
Não sei se você já reparou, mas eu adoro você. 
Adoro as 'pequenas' coisas que você faz.
Eu adoro o jeito como você anda, adoro as roupas que você veste, as suas sardas, as suas mãos com veias saltadas, enquanto você joga video game. 
Adoro sua cara quando você está concentrado em alguma coisa, adoro suas caretas e quando você levanta a sobrancelha involuntariamente. 
Eu adoro quando estamos em casa e você fala: 'Me dá água?' e toma um copo sem gelo ou um copo com 25% gelada e 75% sem gelo. 
Adoro você de óculos, sejam eles de grau ou de sol. Adoro seu sorriso, seus ombros e seus pés. Adoro a sua comida, seu cheiro e a sua voz. 
Adoro(?) quando você fica bravinho, enciumadinho, e também adoro quando você me diz que me ama. 
Adoro seu abraço apertado e que me traz proteção, adoro o gosto dos seus beijos e adoro ficar deitada juntinho de você quando vemos algum filme. 
Adoro seu cabelo, o jeito como você dirige, o jeito como você fica mudando de músicas no meu carro enquanto eu estou dirigindo e como você fica bravo quando algo dá errado. 
Adoro o jeito que você segura nas minhas mãos, adoro o seu toque, seus beijos e suas provocações.
Adoro o jeito que você mastiga a comida e o jeito que você segura os talheres enquanto come. 

Eu adoro a maneira como você me trata e adoro mais anda estar ao seu lado e poder te amar.